Lisboa — Porto — Algarve, 4 de abril de 2026. O sábado que antecedeu a Páscoa tornou-se um verdadeiro desafio para o sistema de transportes do país. A tradicional saída em massa dos habitantes das grandes metrópoles complicou-se este ano devido a uma greve em grande escala dos trabalhadores ferroviários, o que obrigou milhares de pessoas a recorrer aos seus carros particulares, provocando engarrafamentos nas principais autoestradas.
1. Comboios: Cancelamento de 60% dos serviços da CP
O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Ferroviário (ASCP) confirmou a realização de uma greve de 24 horas, que coincidiu com o pico das viagens festivas.
- Situação real: Mais de 240 serviços em todo o país foram excluídos do horário de hoje. As linhas regionais e os comboios suburbanos de Lisboa (linhas de Sintra e Cascais) foram os mais afetados.
- Serviço mínimo: De acordo com a lei, a CP é obrigada a garantir um «serviço mínimo» (cerca de 25% dos serviços), mas estes comboios estão superlotados para além de qualquer norma. Aos passageiros que compraram bilhetes antecipadamente é oferecido o reembolso total do valor ou o adiamento da viagem para datas após 6 de abril.
2. Autoestradas: Recorde na A1, A2 e A25
O encerramento das linhas ferroviárias refletiu-se imediatamente no tráfego rodoviário. A operadora Brisa informa sobre uma densidade de tráfego crítica.
- Autoestrada A1 (Lisboa – Porto): Os engarrafamentos na zona de Vila Franca de Xira e na aproximação a Coimbra estendem-se por 12–15 quilómetros. O tempo médio de viagem entre as duas principais cidades do país aumentou hoje em 2,5 horas.
- Autoestrada A2 (Lisboa – Algarve): O fluxo principal de turistas em direção ao sul criou um «engarrafamento» antes da ponte 25 de Abril e nas portagens na zona de Almodóvar.
- Operação «Páscoa» (GNR): A polícia rodoviária colocou patrulhas adicionais nas estradas. O foco principal está na verificação do cumprimento dos limites de velocidade e na utilização de telemóveis ao volante, que constituem a principal causa de pequenos acidentes que bloqueiam o trânsito.
3. Opinião dos residentes: «Passar o feriado no carro não era o que tínhamos planeado»
Para muitos portugueses, a situação foi uma surpresa total, apesar dos avisos nas notícias.
«Planeámos estar em Braga à hora do almoço, mas estamos parados perto de Santarém há já uma hora e meia. O nosso comboio foi cancelado 40 minutos antes da partida, tivemos de alugar um carro, que hoje custa o triplo do habitual», partilha Miguel, preso num engarrafamento na A1.
Dicas úteis para quem está na estrada (4 de abril):
- Rotas alternativas: Utilize a autoestrada A17 (ao longo da costa) como alternativa à congestionada A1 para viagens para norte. É mais longa, mas hoje é possível percorrê-la sem paragens.
- Aplicações úteis: Acompanhe a situação através do Waze ou do Via Verde, onde as informações sobre acidentes e bloqueios são atualizadas a cada 2 minutos.
- Autocarros (Rede Expressos): Apesar da agitação, as empresas de autocarros introduziram viagens adicionais. Verifique a disponibilidade de lugares nas rotas noturnas — pode ser mais rápido do que ficar preso num engarrafamento no seu carro.
Posição oficial da CP e do governo
A direção da CP lamentou os transtornos, mas sublinhou que as exigências dos sindicatos de um aumento salarial de 12% «são inviáveis no atual ciclo orçamental». O governo, por sua vez, apelou à paciência dos cidadãos e ao rigoroso cumprimento do código da estrada em condições de tráfego complicado.


